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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Paulo Bento em entrevista após o apuramento no play-off

Paulo Bento qualificou Portugal para o Campeonato do Mundo de 2014, uma vez mais com o recurso ao play-off. Ultrapassada a Suécia, a seleção passará alguns meses a aguardar pela viagem para o Brasil.

O balanço final será feito no final do torneio, mas esta é uma boa altura para analisar o trabalho de Paulo Bento. Os números, o discurso e as dúvidas que subsistem.

Nesta quarta-feira, em entrevista exclusiva à TVI, o treinador repetiu algumas ideias fortes, apresentou os seus argumentos e deixou algumas questões em aberto para um futuro próximo.

Antes de mais, o registo de Paulo Bento no comando técnico da seleção.

Paulo Bento é o terceiro selecionador a garantir dois apuramentos para fases finais (Euro2012 e Mundial2014), depois de António Oliveira (Euro1996 e Mundial2002) e Luiz Felipe Scolari (Mundial2006 e Euro2008).

A seu favor, o registo em jogos oficiais. Não contabilizando os encontros particulares, a seleção de Paulo Bento é a segunda melhor de sempre. Humberto Coelho é o único a apresentar um registo superior, com 80 por cento de resultados positivos, seguido então pelo atual selecionador (78 por cento, 17 vitórias, 5 empates e 3 derrotas).

Com 39 jogos no comando técnico da seleção, Bento é o quinto nesse capítulo, atrás de Juca (40), António Oliveira (44), Carlos Queiroz (49) e Luiz Felipe Scolari (75). No rendimento absoluto, com os jogos particulares na equação, o técnico é o sexto melhor de sempre.

As explicações convincentes

Antes de mais, a questão contratual ficou clarificada. Paulo Bento já tinha explicado que a Federação reservou o direito de rescindir o contrato caso Portugal não se qualificasse para o Campeonato do Mundo.

Em entrevista à TVI, o selecionador explicou ainda que terá uma conversa com Fernando Gomes para definir o futuro ainda antes do torneio no Brasil. E a sua disponibilidade para continuar tornou-se evidente durante a conversa.

«Sinto orgulho em ser selecionador, tenho um bom grupo à disposição e uma relação bastante próxima com o presidente. Até junho de 2014, falaremos seguramente sobre isso. Será uma questão de nos sentarmos. Gosto muito do trabalho que estou a fazer e acho que a Federação gosta do trabalho que eu estou a fazer», disse o técnico.

Paulo Bento recuperou ainda uma ideia: o português reage melhor sobre pressão. É uma questão cultural e não é de agora. É um facto, algo que o treinador não conseguiu combater: «Não temos essa capacidade, muitas vezes, para gerir as questões de sucesso. Temos mais capacidade para reagir à adversidade. O maior responsável sou eu, mesmo perante uma situação que vem de muitos anos a esta parte.»

Outra crítica apontada é a suposta preferência por jogadores representados por Jorge Mendes. O treinador respondeu de forma clara. «Se olharmos para os jogadores que estão ligados ao empresário Jorge Mendes, vemos Ronaldo, Nani, Pepe, Raul Meireles, Bruno Alves, Fábio Coentrão. Que selecionador não chamaria estes jogadores?»

Depois, o conservadorismo. Paulo Bento rebate a análise com números. «Estreámos duas dezenas de jogadores. Convocámos ainda mais alguns jogadores que não foram internacionais.»

Assim foi. Aqui ficam os vinte nomes. Rui Patrício, Luís Neto, André Almeida, André Martins, Josué, Ruben Micael, Nélson Oliveira, Éder, Licá, João Pereira, Sereno, Miguel Lopes, Paulo Machado, André Santos, Custódio, Hélder Barbosa, Pizzi, Varela, Vieirinha e William Carvalho.

O que ficou por dizer

Paulo Bento prometeu manter a porta aberta para novos valores mas a lista apresentada acima permite uma conclusão: Rui Patrício e João Pereira foram os únicos nomes a garantir a titularidade nos últimos anos. Vieirinha chegou ao onze mas foi traído por uma lesão. No mais, elementos sem presença habitual no onze.

Na entrevista à TVI, o selecionador manifestou a sua confiança inequívoca no núcleo duro, lembrando que foi criticado por manter jogadores com pouca utilização nos seus clubes. Mas será que isso não afeta a confiança dos restantes elementos? Não houve casos de desagradado assumido nos últimos meses?

Ao contrário do que aconteceu com Bosingwa e Ricardo Carvalho, Paulo Bento não assumiu um cenário de rutura com Danny. Pelo contrário, garantiu que o avançado do Zenit acusou apenas um problema físico. Parece ter crédito junto da seleção. Por outro lado, sendo um elemento em grande destaque no seu clube, como se explicam as escassas oportunidades na seleção? E o jogador, estará satisfeito com tal realidade?

Por fim, o objetivo. Uma vez mais, a seleção quer passar a fase de grupos de uma grande competição. É uma meta credível, aceitável, mas não haverá equipa para maior ambição? Ou não havendo, não seria possível assumi-lo desde já? Ficam as dúvidas para alimentar as próximas conversas.

in Mais Futebol

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